terça-feira, 30 de junho de 2015

Simplesmente eu

Sou simples.
Sou como todas as mulheres, que sentem mais do que dizem.
Sou um turbilhão de hormonas que distorcem os meus atos de dia para dia.
No entanto, sou simples.
Gosto das mesmas coisas que sempre gostei e basta um pouco de carinho para sentir afeto.
Mas nem sempre vou deixar que me dêem esse carinho pois tenho medo de me magoar.
De todas as mágoas que senti, de todos os momentos que chorei interminavelmente, com uma playlist em modo aleatório de músicas que dizem tudo o que estou a sentir e que fazem sentir mais, isso, com as inúmeras vezes que aconteceram tornaram-me mais fria e por isso não esperes que deixe que isso aconteça tão facilmente. Não me posso tornar mais fria. É injusto para quem tiver de viver comigo aos 40.
Sou tão simples que um fogo de artifício faz com sorria, nem sempre com os lábios, mas principalmente com os olhos.
Não sou pessoa de sorrir, sou teimosa e mal-humorada.
Eu sorrio com os olhos, os meus olhos são realmente o espelho da minha alma. E se reparares em pormenores vais conseguir ve-los a brilhar.
Não esperes que chore de todas as vezes que estou triste, repara como está a minha disposição, eu quando estou triste tenho arrepios. Acho que é por isso que não gosto do frio, faz-me lembrar do que é estar triste.
Gosto do quente, do verão. E um bom clichê poderá fazer-me feliz. Sem planos. Só uma ida à praia a meia da noite, Um passeio à beira mar.
Sempre que posso, saio a meio da noite sozinha, adoro essa sensação de liberdade e de um pouco de perigo. Torna-me viva e aterrorizada mas viva.
Basta uma noite inteira só de conversa que consegues arrancar algo honesto da minha parte, mas tenho de te ver fazer o mesmo para assim confiar em ti.
As noites são traiçoeiras, posso dizer tudo o que não digo durante o dia, mas porque considero a noite uma confidente. E porque me sinto segura, quase como se estivesse a viver um sonho.
Gosto de liberdade, de viajar sem destino, nem que seja visitar um café novo. Gosto de imaginar que um dia vou escrever um livro sobre quando pegar numa mochila e viajar por todo país, sem destino.
Planeio o meu futuro de acordo com a luta constante pelo meu percurso acadêmico, quero trabalhar e ter uma vida estabilizada mas não é isso que me deixará feliz.
Gosto de um bom jantar de sushi, um cigarro, um dia a tirar fotografias, uma noite a olhar para as estrelas ou uma conversa longa. Mas também gosto de um filme romântico, junto da minha melhor amiga, o choro constante e um gelado enorme com apenas duas colheres.
Gosto de ver o pôr do sol, e duma boa direta com ida à pra depois duma noite a beber.
Gosto de uma boa bebedeira, de me rir, desanuviar e abstrair ao beber todos os shots da lista, com uma ida atribulada para casa, até cair na cama, nem que tenha de vomitar pelo caminho, isso nunca me vai parar.
Adoro acampar e experimentar coisas novas, festivais, um bom churrasco ou uma noite numa casa com amigos a jogar poker, beerpong, uma sueca ou até mesmo monopólio.
Gosto de ir a museus e ouvir a guia, adoro história, principalmente se for de arte. Adoro jardins, as árvores de primavera e o som dos pássaros. Mas também adoro uma boa noite de conversa na praia com um fundo de trovoada, vou sorrir e rir quando vir um relâmpago perfeito por mais triste que seja o tema de conversa.
Gosto de mimos antes de dormir, mas também adoro dormir para o meu lado, com espaço nem que ocupe uma cama de casal inteira.
Gosto de planear, de decorar datas e de organizar todas as pastas do computador, com os dias e nomes de pessoas. Não esperes que vá a um sítio novo sem pegar na cânon e encher toda gente com flash, adoro recordações e adoro recordar, a nostalgia mostra que vivi algo que valeu a pena, que melhor maneira de me sentir realizada.
Gosto de beber chá, ou chocolate quente, num dia chuvoso embrulhada num cobertor quente, com um pijama horrível enquanto vejo um filme.
Adoro desenhar e ver uma boa série, vão-me abatrair da realidade é isso é algo de que preciso as vezes.
Adoro escrever, muitas vezes chorar a escrever, as palavras libertam-me um pouco da dor como se fosse um medicamento natural que me ajuda a baixar a febre.
Vou discutir se tiver com ciúmes e adoro ouvir elogios, e se estiver com TPM vou chorar porque não tenho tabaco ou porque ainda não saiu um novo episódio da minha série favorita. Ou então vou discutir com quem me irritar com um gesto ou não me der razão só porque isso me vai irritar mais do que o normal.
Vai haver dias que vou ficar em casa sem sair da cama, vou estar em modo ressolha, sem sequer tomar um banho, em que só quero fumar e ver uma série deitada na cama.
Outros dias, por nenhuma razão, vou fazer a depilação toda, vestir a melhor roupa, maquiar-me calçar uns sapatos e vou adorar ser observada e receber elogios, mas bons elogia não pioropos, e vou adorar sentir-me desejada.
Sou perguiçosa, chata, resmungona, teimosa, tenho sempre razão em tudo, mas se me fizeres gostar um pouco de ti, serei mais suportável.
Enfim, sou simples e no entanto sou mulher.

21:47
30.06.2015


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