Nove meses sem ti.
Não sinto o teu cheiro desde aí, não te ouço, não te vejo.
A tua pele, o teu sorriso, os teus olhos claros.
E no entanto não me lembro a todo o momento, quão triste será isso?
Sinto o nó a voltar, aquele nó que me fecha a garganta e não consigo desfazer.
Acho que não sei o suficiente sem ti, tantas perguntas que ficaram sem resposta.
Não devias ter ido embora, ou devias, como poderei saber se estás melhor? Não estavas bem aqui, mas estás bem aí? Não será o "agora está melhor" apenas um reconforto para nós que te perdemos?
Gostava de te abraçar, de te ouvir a rir ou a resmungar. Gostava de te sentir presente, saber que estás bem.
Falo de ti sempre como "a minha mãe" quando vou contar alguma história, porque acho que o falecimento não deve significar que desapareceste, assim mantenho-te viva e eterna.
Tenho usado muita roupa que te pertencia e pergunto-me porque nunca te pedi emprestado algumas das peças. Não quero que sintam pena de mim, tudo o que queria era estar um pouco mais contigo.
Não tens aparecido nos meus sonhos sequer, talvez assim te recordasse melhor, e se apareceste, não me lembro. Sei que os vídeos ajudam, mas por mais que os repita e repita, eles não continuam, acabam naquele minuto, naquele segundo, tendo apenas um breve momento da tua vida registado, duma única prespetiva até que volta ao íncio e acaba da mesma forma. Como será justo isto?
Nada me parece justo.
Queria que me desses a opinião em relação a muitas coisas, decisões importantes que tenho que tomar. Tenho idade o suficiente para decidir mas era só uma opinião, uma perspetiva que só tu terias porque só tu terias o pensamento como mãe.
Quando chegarei ao momento em que sinta um alivio por saber que estás melhor? Será que chegarei a sentir? Só sei que não sabia o que era perder alguém até tu partires e dói como se uma parte de mim estivesse sido arrancada, como se nunca fosse curada. Devias estar aqui, ou não. Não quero parecer egoísta mas fazes-me tanta falta...
Tenho tanto para te contar, tanta coisa aconteceu em nove meses e tu não podes sequer aconselhar-me, devias poder.
Entristece-me saber que não aproveitas-te nada da tua vida e ainda mais entristece-me nem sempre me lembrar de ti.
O nó continua apertado e não se solta por nada.
Acho que nunca o vou conseguir soltar...
Só eu sei a falta que me fazes, as saudades que tenho de todo o tipo de presença que tinhas na minha vida...
Espero sonhar contigo.
Amo-te mãe, sonhos cor de rosa
6:48
30/08/2016